Por
Arnaldo Rabelo*
Uma
criança assiste à televisão no sofá da sala. Nos intervalos do desenho
animado, comerciais agitados se revezam. Um deles, de um biscoito
colorido, chama a atenção do pequeno. Imediatamente, o pai é solicitado a
atender ao novo desejo da criança. Se sentindo culpado por não poder passar
tanto tempo quanto gostaria com seu filho, corre para compensar sua ausência
com biscoitos. A criança come satisfeita, já pensando no próximo pedido.
Situações
como esta são comuns – no Brasil e no mundo todo. As crianças são curiosas,
ávidas por aprender sobre tudo. Gostam de novidades. Como todos nós, têm
necessidades e desejos. Muitos são atendidos através do consumo.
Mas
críticas a este processo são frequentes. Dizem que gera consumismo, obesidade,
entre outros males. De fato, a obesidade infantil é um problema crescente. A
valorização do consumo como forma de expressão da identidade também. E a causa
de tudo isso tem sido atribuída à publicidade. A solução parece simples:
proibir a publicidade direcionada à criança. É o que alguns defendem.
Se o
produto anunciado pode causar malefícios, ele deve ser o principal objeto de
mudança. As empresas devem oferecer alimentos sem excesso de açúcar, sódio ou
gordura saturada. E ainda devem orientar para o consumo moderado. Se não o
fizerem, poderão perder vendas futuras. Se não houver publicidade de produtos
infantis, a programação infantil perde seus patrocinadores. Sem eles, torna-se
inviável. Sem entretenimento infantil, as crianças seriam condenadas à
programação adulta, tão mais inadequada.
A
publicidade de produtos que a criança consome tem sido tratada por certos setores
como a de cigarros ou de bebidas alcoólicas. É uma postura perigosamente
radical. Busca tirar dos pais a possibilidade de escolha. O código de
autorregulamentação publicitária já orienta que “nenhum anúncio dirigirá apelo
imperativo de consumo diretamente à criança”, que não deverá “impor a noção de
que o produto proporcione superioridade ou inferioridade” e que deve respeitar
“a ingenuidade, a credulidade e inexperiência” dos menores.
O
Estado não deve ter a pretensão de decidir pelos pais o que é melhor para as
crianças. E as empresas devem ser responsáveis ao lançar e divulgar produtos
direcionados ao público infantil. Melhor que proibição, precisamos de
conscientização.
*Arnaldo
Rabelo é consultor em marketing infantil, MBA em marketing pela Fundação
Getúlio Vargas, diretor da Associação Brasileira de Licenciamento (Abral) e
coautor dos livros “Licensing” e “Marketing Infantil”.
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